Recuperação judicial no agro cresce 18,7% em dois anos, aponta estudo

Recuperação judicial no agro cresce 18,7% em dois anos, aponta estudo

Mais empresas do agro recorrem à recuperação judicial

O número de empresas do agronegócio em recuperação judicial subiu de 875 em 2023 para 1.039 em 2025, uma alta de 18,7% em dois anos. O dado é da quarta edição do estudo Agronegócio em Números, produzido pelo Empresômetro, empresa de inteligência de dados originada do IBPT, e foi destaque na revista VEJA.

O levantamento analisa toda a cadeia do agronegócio. Entram na conta a produção rural, a indústria, o comércio e os serviços ligados à atividade agropecuária.

Menos empregos e um efeito que se espalha pela cadeia

O avanço das recuperações judiciais veio acompanhado de corte de vagas. Entre 2023 e 2025, as empresas do agro em recuperação eliminaram 12.218 postos de trabalho, uma queda de 12%. A média de funcionários por empresa caiu de 116,1 para 86, retração de 25,9%.

O valor médio transacionado por empresa também recuou 4,2% em termos nominais. Esse indicador soma compras, vendas, transferências, remessas internas e serviços de transporte. Segundo o estudo, três anos após o pedido de recuperação, a empresa opera em média com 70% do volume de negócios que tinha antes.

O impacto não fica restrito a quem pede recuperação. O Empresômetro identificou que cada grande empresa do setor em recuperação judicial afeta outras 27:

  • 5 que também recorrem à recuperação judicial
  • 22 que encerram as atividades ou vão à falência

Nesse recorte, são consideradas grandes as empresas com valor transacionado anual acima de R$ 200 milhões. O estudo aponta o crédito caro e a volatilidade das commodities como possíveis fatores de pressão financeira.

O setor vende mais, mas a fragilidade continua

As dificuldades financeiras contrastam com o crescimento dos negócios. Em 2025, os valores comercializados pelo agronegócio subiram 9,8%, acima dos 6,4% registrados pelo conjunto dos setores da base analisada.

Já o número de empresas ligadas ao agro cresceu só 1,3%. Para os autores do estudo, o avanço da produção e das vendas não elimina fragilidades financeiras nem garante que todos os elos da cadeia cresçam no mesmo ritmo.

Agroindústria passa a responder por mais da metade dos tributos do agro

O agronegócio gerou R$ 1,02 trilhão em receitas públicas em 2025, o equivalente a 24,6% da arrecadação analisada pelo estudo. Entre 2022 e 2025, os tributos gerados pela cadeia cresceram 29,1%, contra 23,9% da arrecadação total considerada.

Pela primeira vez na série, a agroindústria respondeu por mais da metade dos tributos do setor: 50,2% em 2025, ante 47,3% em 2022. O grupo reúne atividades de transformação como frigoríficos, laticínios, moinhos e produção de biodiesel.

Os autores associam esse movimento aos regimes de isenção e às alíquotas reduzidas da produção rural. Na leitura do estudo, o peso maior da indústria indica agregação de valor e mais formalização das atividades.

Cooperativas, regiões e o novo mercado de defensivos

As cooperativas ganham peso na organização econômica do campo. Em 2025, elas compraram mais de R$ 150 bilhões em categorias acompanhadas pelo Empresômetro, como defensivos, fertilizantes, embalagens, diesel, equipamentos pesados e veículos. Ao concentrar a demanda de milhares de produtores, ampliam o poder de negociação e o acesso a insumos e tecnologia.

Na distribuição territorial, Centro-Oeste e Norte seguem como as regiões que mais crescem. Ainda assim, Sudeste, Sul e Nordeste concentram 87% dos negócios do agro.

O mercado de defensivos também passa por mudanças:

  • As vendas de produtos microbiológicos cresceram 55% entre o primeiro semestre de 2025 e o de 2026
  • Centro-Oeste e Sudeste concentraram 73% das vendas dessa categoria em 2025
  • As compras de defensivos por e-commerce, WhatsApp e outros canais não presenciais passaram de 63% em 2024 para 76% em 2025, ou cerca de três em cada quatro operações

O que os números mostram para quem atua no agro

O agro cresce em vendas e em arrecadação, mas parte da cadeia enfrenta pressão financeira crescente. Como a recuperação de uma grande empresa atinge fornecedores e parceiros, acompanhar a saúde financeira e tributária de clientes e da própria operação deixou de ser opcional.

Dados confiáveis sobre a cadeia ajudam a antecipar riscos, avaliar parceiros comerciais e planejar a carga tributária com mais segurança. É esse o tipo de inteligência que o IBPT e o Empresômetro produzem para empresas de todos os setores.

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Fontes

Sobre o IBPT

Os estudos do IBPT são referências no mercado e visam identificar a carga tributária dos diversos setores da economia brasileira ou de uma empresa, especificamente. Eles fornecem um diagnóstico da tributação que incide sobre determinadas atividades, com dados suficientes para implementar uma gestão tributária e aumentar a competitividade. Realizamos pesquisas corporativas e de setores específicos para reduzir o peso dos tributos por meio de uma gestão tributária eficiente.

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