Após um mês de março marcado por altas que superaram os 30%, o mercado de combustíveis nas distribuidoras brasileiras registrou uma retração média de 6,04% em abril. O dado faz parte do mais recente levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), elaborado com base na análise de 497 mil notas fiscais emitidas em todo o país.
Apesar do alívio pontual observado no último mês, o cenário ainda exige cautela dos contribuintes e gestores: no acumulado de 2026, os preços nas distribuidoras ainda sustentam um avanço de 5,41%, reflexo das tensões geopolíticas internacionais e da pressão logística.
Retração Regional: Um Comportamento Desigual
A queda observada em abril não ocorreu de forma uniforme pelo território nacional. O estudo do IBPT revela que o Centro-Oeste liderou a retração, enquanto o Nordeste apresentou o recuo mais tímido.
Queda média por região em abril:
- Centro-Oeste: -7,86%
- Sul: -7,36%
- Sudeste: -7,13%
- Norte: -5,05%
- Nordeste: -2,81%
Essa disparidade reforça como as questões logísticas e regionais influenciam diretamente a formação de preços, mesmo em um momento de acomodação técnica do mercado.
Diesel vs. Etanol: O Peso na Economia
O levantamento destaca comportamentos distintos entre os tipos de combustível. Enquanto o Diesel S500 comum chegou a cair 12,40% no Centro-Oeste, a gasolina comum na mesma região apresentou um leve avanço de 1,05%.
O Etanol surge como o único combustível a registrar queda no acumulado do ano em grande parte do país, com um recuo médio de 7,59%. Entretanto, o Diesel continua sendo o grande vilão da inflação indireta, impactando severamente os custos de transporte e a cadeia produtiva nacional. No Nordeste, por exemplo, o acumulado do ano para o Diesel S500 chega a impressionantes 24,88% de alta.
Análise dos Especialistas
“A queda observada em abril deve ser vista com cautela. Ela ocorre após um movimento atípico de alta e não representa, necessariamente, uma reversão estrutural de tendência. O mercado ainda opera sob pressão, especialmente no diesel, que continua sendo o principal componente de custo para a cadeia produtiva.” — Gilberto Luiz do Amaral, Presidente do Conselho Superior do IBPT.
Para o diretor do instituto, Carlos Pinto, o movimento de abril é uma resposta técnica à escalada de março.
“O que vemos é uma acomodação após um pico muito forte. Ainda há uma série de variáveis externas influenciando o comportamento dos preços, o que torna o cenário instável e sujeito a novos ajustes. O etanol ajuda a aliviar o bolso, mas não tem o mesmo peso estrutural do diesel na formação de preços da economia.”
A volatilidade permanece como a palavra de ordem para o setor de combustíveis em 2026. Para empresas que dependem intensamente de logística, o monitoramento constante desses dados é essencial para a manutenção das margens e do planejamento financeiro.


