A volatilidade dos preços dos combustíveis voltou ao centro do debate econômico no Brasil. Um levantamento exclusivo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), destacado recentemente pela Forbes, revela que o preço do óleo diesel registrou uma escalada sem precedentes durante o mês de março de 2026, com altas que chegaram a tocar a marca dos 30% em regiões estratégicas para a economia nacional.
O estudo, baseado na análise rigorosa de mais de 485 mil notas fiscais (abrangendo distribuidoras e consumidores finais em todos os estados), aponta que o aumento deixou de ser uma oscilação pontual para se tornar um desafio estrutural para o setor produtivo.
O Raio-X dos Combustíveis em Março
De acordo com o relatório técnico do IBPT, o Diesel S10 comum registrou uma alta média nacional de 24,92% nas distribuidoras entre os dias 1º e 30 de março. No entanto, o impacto foi sentido de forma ainda mais severa no coração do agronegócio brasileiro:
- Centro-Oeste: O preço nas distribuidoras saltou de R$ 5,26 para R$ 6,80, com picos de até R$ 8,52 nos postos de combustíveis.
- Sudeste e Sul: Registraram variações que levaram o preço final ao consumidor para a casa dos R$ 8,14.
- Norte e Nordeste: Apresentaram altas consistentes, com o Diesel S500 ultrapassando variações de 30% em estados nordestinos.
Enquanto isso, a gasolina acompanhou a tendência de alta com média de 8,76%, enquanto o etanol manteve um comportamento mais estável, com oscilação média nacional de apenas 1,10%.
Por que a desoneração de impostos não funcionou?
Um dos pontos mais sensíveis do estudo revela que a isenção de PIS e Cofins (conforme o Decreto nº 12.875/2026) não gerou o alívio esperado no bolso do contribuinte. O IBPT classificou a medida como “matematicamente anulada” pela dinâmica do mercado.
Na prática, o reajuste promovido nas refinarias, somado à volatilidade das distribuidoras e à pressão do cenário internacional (conflitos no Oriente Médio), resultou em um aumento líquido de R$ 1,25 por litro de diesel no atacado, absorvendo completamente qualquer margem de redução tributária.
A “Explosão Inflacionária” e o Efeito Cascata
Para o Presidente do Conselho Superior do IBPT, Gilberto Amaral, o cenário é preocupante devido ao papel central que o diesel ocupa na matriz de transportes do país.
“Estamos diante de uma explosão inflacionária no Diesel que supera os 24% na média nacional e beira os 30% no coração do agronegócio”, afirma Amaral.
Como o transporte rodoviário concentra a maior parte da movimentação de cargas no Brasil, o aumento do diesel impacta diretamente o custo do frete. Esse custo, inevitavelmente, é repassado ao consumidor final, afetando principalmente o preço dos alimentos e insumos básicos, pressionando os índices oficiais de inflação.
Conclusão
O levantamento do IBPT reforça a necessidade de uma gestão baseada em dados reais e transparência fiscal. Em um cenário onde a carga tributária e os custos operacionais caminham lado a lado, a inteligência de mercado torna-se a ferramenta mais valiosa para governos e empresas.
📥 acesse o estudo completo
O IBPT realiza o monitoramento contínuo dos preços com base em dados reais de mercado. Para entender detalhadamente como esses aumentos impactam seu setor e conferir as variações por região, acesse o material completo:

