Análise do IBPT sobre dados da Receita Federal revela desigualdade regional e projeta mudanças com a Reforma Tributária.
O Brasil possui 5.569 municípios, mas a força da arrecadação tributária está concentrada nas mãos de poucos. Um novo estudo da Receita Federal referente ao ano de 2024 revela que apenas 100 cidades concentram 77,6% da arrecadação total do país.
Esse dado é ainda mais impactante quando cruzado com a demografia: esses municípios abrigam apenas 36,4% da população brasileira, evidenciando que a geração de tributos está ligada à atividade industrial e empresarial, e não apenas ao tamanho populacional.
O Ranking dos Gigantes: Top 10 Os principais municípios arrecadaram mais de R$ 1,9 trilhão em 2024. A liderança isolada é de São Paulo (SP), responsável por quase um quarto de toda a arrecadação nacional.
Confira as 10 cidades que mais arrecadaram:
- São Paulo (SP): R$ 581,2 bilhões
- Rio de Janeiro (RJ): R$ 306,9 bilhões
- Brasília (DF): R$ 180,1 bilhões
- Belo Horizonte (MG): R$ 54,7 bilhões
- Osasco (SP): R$ 50,2 bilhões
- Curitiba (PR): R$ 44,5 bilhões
- Barueri (SP): R$ 36,5 bilhões
- Porto Alegre (RS): R$ 33,7 bilhões
- Itajaí (SC): R$ 27,1 bilhões
- Campinas (SP): R$ 26 bilhões
Hegemonia do Sul e Sudeste A análise regional mostra um desequilíbrio claro. O Sudeste (53%) e o Sul (26%) somam 79% do total arrecadado. Cidades médias com fortes polos industriais ou logísticos, como Joinville (SC), Caxias do Sul (RS) e Itajaí (SC), figuram com destaque, superando muitas capitais do Norte e Nordeste.
A Visão do Especialista: Por que isso acontece? Para João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT, o ranking é um reflexo da distribuição econômica do país.
“O estado de São Paulo lidera não apenas pela população, mas por sua força industrial e comercial. Cidades como Barueri e Osasco aparecem no topo justamente por abrigarem sedes de grandes empresas e indústrias, gerando tributos na origem”, explica Olenike.
O Futuro: A Reforma Tributária vai mudar o mapa? Uma das grandes promessas da Reforma Tributária é a alteração da cobrança do imposto da “Origem” (onde se produz) para o “Destino” (onde se consome).
Segundo a análise do IBPT, esse cenário de concentração extrema pode começar a mudar a partir de 2033, quando a transição estiver completa. Regiões que hoje são grandes consumidoras, mas produzem menos — como o Norte e o Nordeste — tendem a ver um aumento em suas fatias de arrecadação, promovendo um equilíbrio federativo maior.


