Levantamento inédito do IBPT revela que o conflito geopolítico já impacta o preço final nas bombas brasileiras, mesmo sem o reajuste oficial da Petrobras nas refinarias.
O cenário global de instabilidade voltou a pressionar o bolso do consumidor brasileiro e o caixa das empresas que dependem de logística. Um estudo fundamental realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), enviado com exclusividade à VEJA nesta quinta-feira (12/03/2026), revela que o preço do diesel no Brasil já acumula uma alta de quase 9% desde o início da intensificação dos conflitos no Oriente Médio.
O levantamento é uma ferramenta estratégica para identificar se os repasses de preços ao consumidor final acompanham a variação praticada no atacado pelas distribuidoras, especialmente em um momento de alta volatilidade internacional.
O Impacto Imediato nas Bombas
Nos primeiros oito dias de março, o IBPT observou um aumento substancial e acelerado nos preços. O grupo do diesel registrou os reajustes mais expressivos em todo o território nacional:
- Diesel S10 Comum: Subiu 8,70% (uma média de R$ 0,52 por litro).
- Diesel Aditivado: Apresentou variação nacional de 8,91% (aumento médio de R$ 0,55).
- Diesel S500: As versões comum e aditivada subiram 6,53% e 6,08%, respectivamente.
Enquanto o diesel sofreu fortes reajustes, a gasolina comum teve uma alta mais moderada, com média nacional de 2,06% (R$ 0,11). No entanto, o cenário regional revela discrepâncias profundas que afetam a competitividade de diferentes setores da economia.
Análise Regional: O Nordeste sob Pressão
O estudo do IBPT aponta o Nordeste como o destaque negativo do período. A região liderou as altas em diversas categorias:
- A variação do Diesel S10 no Nordeste chegou a 12,96%.
- O Diesel Aditivado registrou a maior alta isolada, batendo 13,87%.
- O preço do diesel comum mais caro do Brasil também se encontra no Nordeste, atingindo a marca de R$ 6,16 o litro.
Já a região Sul apresentou um comportamento atípico, sendo a única a registrar uma leve deflação de -0,95% na gasolina aditivada durante a primeira semana de março.
A Geopolítica como Vetor de Preços
Para Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, a explicação para esse movimento reside na tensão internacional. A guerra envolvendo os EUA, Israel e Irã tem provocado instabilidade severa nos preços mundiais, com impacto direto no custo de insumos que chegam ao Brasil.
“Os preços começaram a subir com o início do conflito. As distribuidoras que importam realizam a mistura obrigatória de biocombustíveis e revendem para os postos”, explica Amaral.
O Alerta: A Inércia da Petrobras e o Cenário Futuro
Um dado crítico levantado pelo estudo é que, embora o consumidor já esteja pagando mais caro nas bombas, a Petrobras ainda não realizou reajustes oficiais nas refinarias brasileiras.
Isso indica que a alta atual está sendo impulsionada pelo mercado de importação e distribuição. Caso a Petrobras venha a reajustar seus preços nas refinarias nos próximos meses para acompanhar a paridade internacional, o mercado brasileiro poderá enfrentar uma nova onda de aumentos, ainda mais agressiva.
Para gestores e empresários, o planejamento tributário e logístico torna-se, mais do que nunca, uma questão de sobrevivência operacional diante da instabilidade do mercado de combustíveis.
Fonte: Estudo Exclusivo IBPT para VEJA (Março/2026).


